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quinta-feira, abril 14, 2005 |
Abriu os botões e o vestido delizou pela sua pele até alcançar seu pés. Pegou o roupão e ligou o rádio enquanto a banheira enchia perfumada por sais de banho. O rádio impregna a casa com um blues. O banheiro é grande, de azulejos brancos, organizado, aconchegante.
De olhos fechados ela suspira tentando relaxar. Sua pele saboreia a água morna praparada para afastar seus problemas. E enquanto a música invade seus ouvidos, seu cérebro, seus sentidos aquela mulher se deixa levar pelas lembranças.
Paola e Carlos estavam casados faziam quatro anos. Ah como ela o amava! Apreciava cada partezinha dele, até aquelas onde os defeitos estavam presentes...
Seu marido era arquiteto, trabalhava na mesma firma que seu melhor amigo (se conheciam desde a adolescência), fazia todo o sentido montar uma firma com alguém que o respeitava e o entendia tanto. Compartilhavam a mesma paixão pela arquitetura. Ela era fisioterapeuta, trabalhava muito e não ganhava lá essas coisas, mas Paola não se importava. As contas eram pagas em dia e tudo estava indo bem na vida deles.
No entanto as coisas foram ficando estranhas. Seu marido estava cada vez mais ausente e ele culpava o trabalho. E por um tempo ela acreditou, já que ele sempre parecia cansado, preocupado. De estranhas as coisas se tornaram incrívelmente incômodas. Parecia que Carlos não sentía-se à vontade no prórprio corpo.
Carlos levou sua esposa à uma praia, era noite, e ao invés de confessar ele foi dando indiretas e ela finalmente se deu conta. As muitas horas no escritório não se tratavam sempre de trabalho, os olhares misteriosos ao melhor amigo escondia algo, um sentimento mais intenso, um sentimento além de amizade.
Ele tentou lutar contra isso, tentou muito, mas não é algo que possa ser facilmente ignorado, modificado, arrancado. Ele simplesmente era assim, simplesmente estava apaixonado por seu amigo. E de simples isso nada tinha...
Eles se divorciaram, claro. E Paola o odiou por um bom tempo, mas a ferida foi diminuindo e apesar de ainda existir ela percebeu que foi melhor assim, ele estava feliz assim. E ela, bem... ela tenta superar e seguir em frente em seu solitário apartamento no centro da cidade.
Tantas lembranças invadindo seu cérebro em segundos que ela se esqueceu que estava chorando. Ela fechou mais uma vez os olhos e mergulhou. Se ela tivesse coragem não mais levantaria, mas não suportou a água entrando em seu corpo. Tossiu muito. Enrolada no roupão se jogou na cama, imóvel, sem saber para quê viver.
+Weezer.Glorious Day