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sexta-feira, outubro 22, 2004 |
Naquele morro alto e quieto e sombrio ela enterrou seus sonhos. Desde então o ar é parado, poucos pássaros pousam por lá. Vez ou outra pessoas do vilarejo dizem ouvir o choro dela.
Ela enforcou-se. Por dias ninguém teve coragem de ir até lá e o corpo ficou pendurado, balançando de acordo com a vontade do vento. Só quando o cheiro da morte começou a impregnar o ambiente que do morro ela foi retirada.
Muitos, agora conhecidos como loucos, dizem por aí que vêm a menina olhando o vilarejo lá do alto com as mão na garganta, contorcendo-se como quem pede por ar.
As pessoas dizem que ela era uma menina muito meiga, disfarçou bem sua dor.
Seu erro foi pensar que não sentiriam sua falta, foi achar que ela não tinha mais conserto. Mas também, ninguém disse isso à ela! Ninguém a mostrou que existia amor que lhe era permitido sentí-lo.
E no auge do desespero tudo foi ficando embaçado, escuro. O nó na garganta doeu mais do que nunca e depois de muito lutar por ar seu corpo desfaleceu.
E dizem que aquele morro alto e quieto e sombrio onde ela enterrou seus sonhos é assombrado desde então. O ar é tão pesado que ninguém consegue respirar lá.